Patrulha Estética, Obesidade e a Violação de Direitos Fundamentais: Análise da Gordofobia e da Carência Normativa
DOI:
https://doi.org/10.19135/revista.consinter.00021.21Palavras-chave:
Patrulha estética, Pressão estética, Obesidade, Gordofobia, Direitos Fundamentais, Dignidade Humana, Liberdade, Estigma, Discriminação, Saúde PúblicaResumo
Resumo: Este artigo aprofunda a análise da relação entre a pressão estética ("patrulha estética"), a obesidade e a gordofobia, sob a ótica dos Direitos Fundamentais. Discutir-se-á como a estigmatização de indivíduos com obesidade representa uma violação direta de sua dignidade humana e liberdade, impulsionada por padrões estéticos normativos e pela carência de normas jurídicas protetivas. O objetivo principal é fundamentar a necessidade de reconhecer a obesidade como uma condição que exige proteção contra a discriminação, alinhando a saúde pública a uma abordagem de direitos humanos. A hipótese central do estudo é que a estigmatização de indivíduos com obesidade representa uma violação direta de sua dignidade humana e liberdade, sendo impulsionada por padrões estéticos normativos e pela ausência de normas jurídicas protetivas. O método utilizado para a pesquisa foi uma revisão bibliográfica. Os resultados indicam que a estigmatização de indivíduos com obesidade viola diretamente sua dignidade e liberdade, impulsionada por padrões estéticos normativos e pela carência de normas jurídicas protetivas. Observou-se que a gordofobia se manifesta em contextos sociais, midiáticos e de saúde, gerando implicações psicossociais e dificuldades no acesso à saúde. Os resultados demonstraram que a estigmatização de indivíduos com obesidade, impulsionada por padrões estéticos e pela carência de normas protetivas, de fato viola sua dignidade humana e liberdade, confirmando a hipótese central. O estudo observou a ampla manifestação da gordofobia em contextos sociais, midiáticos e de saúde, com significativas implicações psicossociais e dificuldades no acesso à saúde.
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