DA INVESTIGAÇÃO À DESCOBERTA EM UMBERTO ECO: OLHAR E REFLEXÃO SOBRE A PESQUISA NA ATUALIDADE

DOI: 10.19135/revista.consinter.00008.04

Marcos Alves da Silva[1] – ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3868-9435

Leonardo Baldissera[2] – ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9151-4925

Luiz Carlos Moreira Junior[3] – ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9752-9159

Resumo: O presente trabalho aborda um estudo sobre a obra Como se faz uma tese do autor Umberto Eco, tendo por base um caminho metodológico e epistemológico que o próprio livro apresenta, especialmente quando da discussão acerca da cientificidade da tese, de modo a desenvolver um olhar reflexivo e crítico sobre a pesquisa na atualidade. O roteiro detém em si um caminho pela investigação à descoberta da tese, enquanto pesquisa, pelo orientando auxiliado pelo seu orientador. Ainda que o contexto da obra tenha sido o cenário acadêmico década de 1970 na Itália, não há como ignorar as contribuições metodológicas e os conflitos epistemológicos existentes no livro, criando um contraponto com o desenvolvimento da pesquisa nos dias atuais. Os conselhos irônicos do autor contribuem para um choque de realidade acadêmica, ressaltando a contribuição que a tese pode oferecer ao honesto exercício do intelecto da pesquisa.

Palavras-chave: Pesquisa acadêmica. Tese. Metodologia. Pesquisa. Umberto Eco.

Abstract: This paper deals with a study on the work How to make a thesis, of the author Umberto Eco, based on a methodological and epistemological path that the book itself presents, especially when discussing the scientificity of the thesis, in order to develop a reflective and critic look on the current researches. The script itself has a way to investigate the discovery of the thesis, as research, by the guidance aided by its mentor. Although the context of the work was the academic scenario of the 70’s in Italy, there is no way to ignore the methodological contributions and the epistemological conflicts that exist in the book, creating a counterpoint to the development of research nowadays. The ironic advice of the author contribute to a clash of academic reality, highlighting the contribution that the thesis can offer to the honest exercise of the research intellect.

Keywords: Academic research. Thesis. Methodology. Search. Umberto Eco.

1 INTRODUÇÃO

O livro Como se faz uma tese trouxe consigo um viés literário até então pouco divulgado do “filósofo, ensaísta, teórico da comunicação de massa, o comunicólogo, o semioticista, o crítico, o romancista” Umberto Eco, que assim foi descrito pela Professora Doutora Lucrécia D’Aléssio Ferrara (PUC-SP), responsável pela apresentação da obra em edição brasileira (ECO, 2007). Isso porque, a experiência de grande destaque do autor, sobretudo no campo filosófico, sua área formação (1954), aliada a cátedra da semiótica desenvolvida na Universidade de Bolonha (IT), até então não tinha sido destinada ao desenvolvimento metodológico e epistemológico presente na obra Como se faz uma tese, cujo conteúdo servirá de sustentáculo para o presente trabalho.

A carreira acadêmica de Umberto Eco lhe permitiu apresentar experiências, desvendar caminhos e incentivar o aluno no desenvolvimento de um estilo “apropriado” de tese, aqui compreendida como pesquisa acadêmica, originalmente pensada para o modelo italiano de ensino, mas de serventia indubitável para a pós-graduação em Ciências Humanas no Brasil.

A obra destaca ainda a experiência do trabalho acadêmico, com conselhos verdadeiros, por vezes irônicos, no intuito de compreender a “alquimia” da tese e auxiliar no seu completo desenvolvimento. O preparo de uma tese “digna” prescinde de um momento favorável e está intrinsicamente vinculada ao sentido do estudo, em uma compreensão ampla e crítica, muito embora o aluno possa se decepcionar com o curso acadêmico em questão (ECO, 2007). Nas palavras do autor tem-se o compêndio de dois suscintos conselhos, apresentados logo no início da obra, que devem ser observados pelo aluno na busca da verdadeira pesquisa acadêmica (ECO, 2007, p. XIV):

– Pode-se preparar uma tese digna mesmo que se esteja numa situação difícil, que se ressente de discriminações remotas ou recentes;

– Pode-se utilizar a ocasião da tese (mesmo se o resto do curso universitário foi decepcionante ou frustrante) para recuperar o sentido positivo e progressivo do estudo, entendido não como coleta de noções, mas como elaboração crítica de uma experiência, aquisição de uma capacidade (útil para o futuro) de identificar os problemas, mas encará-los com método e expô-los segundo certas técnicas de comunicação.

Muito embora Umberto Eco rechace a ideia de que o livro Como se faz uma tese serviria à explicar “como se faz pesquisa científica”, a realidade é que o profícuo conhecimento do autor na área acadêmica, sua capacidade de sintetização e sobretudo a percepção, já à época, de que a pesquisa científica, tal como se apresentava, caminhava para longe dos olhos do conhecimento e da honestidade intelectual, permitem a utilização da obra como parâmetro de reflexão da pesquisa acadêmica.

O título do artigo em mesa remete a composição do livro objeto do estudo, bem como a evolução do seu sumário, iniciando com o capítulo O que é uma tese e para que serve, passando pela Escolha do tema, Pesquisa do Material, Plano de Trabalho e o Fichamento e desaguando na Redação, Redação Definitiva e Conclusões, para então desenvolver um olhar crítico da pesquisa na atualidade. Nesse caminho metodológico e epistemológico, tal como quando retrata a escolha do tema, Umberto Eco faz surgir inquietações sobre a necessidade de ordenar as próprias ideias, inclusive para aqueles que o fazem por obrigação, caminhando pela investigação à descoberta da própria tese.

O diálogo sincero entre professor e aluno, trazido em forma de orientações, narrativas de experiências acadêmicas e cenários hipotéticos servem também de alerta para a inexistência de caminho fácil, rígido ou pronto para a elaboração da pesquisa científica, tampouco a possibilidade de se estabelecer uma métrica predeterminada para a realização do seu objetivo de estudo. Em outras palavras, é preciso disciplina, honestidade e interesse fidedigno na pesquisa, aceitar as dificuldades, superando-as no intuito de concluir de forma satisfatória a pesquisa.

As ideias apresentadas por Umberto Eco em Como se faz uma tese permitem uma sintonia atemporal no que se refere ao desenvolvimento da pesquisa científica, construindo um enlace didático e metodológico do estudo em comparação com o modo de se fazer pesquisa na atualidade. A criticidade presente nas lições do autor aprofunda a percepção de quão importante é o desenvolvimento da pesquisa com qualidade no cenário educacional, inclusive sob o viés do desenvolvimento social.

Além da introdução, o presente artigo está estruturado em mais dois tópicos, dentre eles o desenvolvimento da obra: reflexões sobre a pesquisa na atualidade e considerações finais.

2 DESENVOLVIMENTO DA OBRA: REFLEXÕES SOBRE A PESQUISA

A leitura do livro Como se faz uma tese permitiu a compreensão do elemento processual – no significado de “modo por que se realiza ou executa uma coisa; método, técnica” (AURÉLIO, 2008) –, inerente a produção de pesquisa científica, que deriva de sua investigação à descoberta, ou seja, definição temática, produção (leia-se, desenvolvimento) e conclusão da mesma.

Umberto Eco inicia seu compilado de ideias no capítulo 1, denominado Que é uma tese e para que serve, destacando-se o subcapítulo A quem interesse este livro, onde o tom irônico do autor começa a ganhar destaque, sobretudo quando das “sugestões” sabidamente ilegais apresentadas aos estudantes “obrigados” a preparar uma tese, ou seja, quando os alunos se apresentam sem qualquer interesse ou vontade de aprender. O autor destaca que, se você se enquadra nessa categoria (desinteresse na produção acadêmica), seja por qual motivo for, a obra em referência não lhe ajudará, sendo mais proveitoso escolher as seguintes possibilidades: “(1) investir uma quantia razoável para que outros façam a tese por eles; (2) copiar uma tese já pronta há alguns anos em outra universidade” (ECO, 2007, p. 4).

Evidentemente as sugestões acima não devem ser acatadas, servindo apenas para trazer à tona uma triste realidade no que toca ao desenvolvimento de pesquisa, situação já identificada por Umberto Eco nos idos da década de 1970 na Itália, onde iniciou sua carreira acadêmica (FRAZÃO, 2018). Nas palavras do autor observa-se a explicação das sugestões apresentadas, inclusive com descrição das dificuldades sociais e jurídicas que à época eram vivenciadas:

Claro está que os dois conselhos acima são ilegais. Seria como dizer: “Se você foi ao pronto-socorro, ferido, e o médico se recusar a atendê-lo, meta-lhe uma faca na garganta”. Em ambos os casos, tratam-se de atos de desespero. Nosso conselho foi dado, a título paradoxal, para reafirmar que este livro não intenta resolver os graves problemas de estrutura social e de legislação existentes. (ECO, 2007, p. 4)

Compreende-se as ponderações irônicas do autor, ainda mais quando se tem em mente a diferenciação da tese pensada no modelo italiano (tese de licenciatura), leia-se graduação, e a tese de pós-graduação nacional, seja estrito ou lato sensu, bem como quando se leva em conta a informação de “graduação de massa”, que destoa do âmago da pesquisa e contribui para comportamentos obrigatórios e engessados na academia, tão presente nos dias atuais das universidades brasileiras.

Ao destacar esses apontamentos o autor pretende estabelecer uma franca distinção na pesquisa acadêmica. Ou seja, a produção da tese não pode ser ato meramente formal, despido de dedicação e sem o sincero interesse no aprendizado. Caso assim o fosse, de nada adiantaria o estudo metodológico e científico (no sentido epistêmico) do aprendizado e da produção de ideias. O conceito de “graduação de massa” bem revela que a prática – despida de vontade – da produção acadêmica vem se enraizando no âmbito da academia, prejudicando sobremaneira o ensino, o estudo e o desenvolvimento da pesquisa enquanto instrumento de desenvolvimento social e filosófico.

A cultura do ensino tradicional, baseada nas operações fundamentais de repetir e produzir, no sentido de repetir o que sempre foi apresentado pela doutrina e produzir consequentemente os dogmas e preconceitos enraizados no sistema de ensino (SOARES, 2014, p. 137) em muito contribuiu ao desestímulo da produção acadêmica.

Já no ano de 1977, data da primeira publicação da obra em debate, a academia italiana enfrentava problema similar, no tocante a obrigatoriedade de se fazer a tese de licenciatura, sobretudo para aqueles desinteressados e que o faziam por obrigação, tanto é que parte substancial do livro Como se faz uma tese apresenta situações e circunstâncias sobre as mazelas da pesquisa.

Atualmente, o cenário, infelizmente, não se modificou. Seja pela necessidade de avanço profissional, mediante promoções, melhores remunerações e cargos superiores, ou obrigatoriedades pessoais, o meio acadêmico ainda se depara com interesses desprovidos da sinceridade e curiosidade inerentes à pesquisa científica, de modo que tais circunstâncias acabam por desaguar na produção de frágeis e rasas pesquisas, contendo conteúdos repetidos, sem originalidade e que não interessam ao meio acadêmico.

Exemplo claro desse desprendimento educacional com a pesquisa é retratado por Bauman em seu livro Modernidade e Ambivalência (1999, p. 225), quando observa que o conhecimento vem sendo desconstituído pelo elevado número de especializações, que geram a necessidade de novas especializações em um círculo vicioso e prejudicial ao conhecimento jurídico enquanto pesquisa e desenvolvimento educacional.

Nesse sentido que Orsini (2018, p. 3) também entende pela existência de uma crise no ensino jurídico no Brasil, que segundo a autora “não é fruto de uma única raiz”, mas advinda de uma série de fatores, desde cunho “curricular, extracurricular, pedagógico, político, econômico, ideológico, didático, metodológico”, dentre outros.

De todo o modo, Umberto Eco (2007, p. 7) ensina que a tese e a elaboração da pesquisa científica serve para a vida, não só como incentivo ao seu desenvolvimento, mas como exercício intelectual sincero, essa ideia se faz presente no subcapítulo denominado Como uma tese pode servir também após a formatura, onde se conclui a serventia extra acadêmica da tese e se inicia o raciocínio metodológico que poderá ser seguido no desenvolvimento do trabalho com a apresentação das temáticas e métodos de pesquisa.

De fato, é preciso rememorar que a pesquisa em sentido lato não se prende tão somente ao espaço acadêmico, uma vez que sendo de boa qualidade contribuirá como avanço pessoal e social daquele que a desenvolve e daqueles que a absorvem. A tese, enquanto pesquisa, não se exaure em si mesma, contribuindo sobremaneira para o ambiente social. Nas palavras de Umberto Eco tem-se que:

Enfim, elaborar uma tese é como exercitar a memória. Temo-la boa quando velhos se a exercitamos desde a meninice. E não importa se a exercitamos decorando os nomes dos jogadores dos times da Divisão Especial, os poemas de Carducci ou a série de imperadores romanos de Augusto e Rômulo Augusto. Por certo, se o caso for aprimorar a memória, é melhor aprender coisas que nos interessam ou nos sirvam: mas, por vezes, mesmo aprender coisas inúteis constitui bom exercício. Analogamente, embora seja melhor fazer uma tese sobre um tema que nos agrade, ele é secundário com respeito ao método de trabalho e à experiência daí advinda. (2007, p. 5)

Nesse sentido, não há como se deixar de observar a ideia metodológica central do livro Como se faz uma tese reside no cumprimento de um método de trabalho, previamente estipulado, com fim destinado à conclusão do seu objetivo (tese). Ainda que não seja um manual, parece claro que a prescrição de um método era de fato um dos objetivos do autor com a obra, visando maximizar e otimizar o trabalho de futuros pesquisadores e estudantes, como se percebe nas quatro regras por ele estabelecidas para a escolha do tema destinado a elaboração da tese:

1) Que o tema responda aos interesses do candidato (ligado tanto ao tipo de exame quanto às suas leituras, sua atitude política, cultural ou religiosa).

2) Que as fontes de consulta sejam acessíveis, isto é, estejam ao alcance material do candidato.

3) Que as fontes de consulta sejam manejáveis, ou seja, estejam ao alcance cultural do candidato.

4) Que o quadro metodológico da pesquisa esteja ao alcance da experiência do candidato. (ECO, 2007, p. 6)

Embora sucintas, as sugestões apresentadas pelo autor são atemporais, servindo de parâmetro para a pesquisa também nos dias atuais. Dentre as orientações, destacam-se aquelas relativas ao ideal cultural do aluno e ao quadro metodológico da pesquisa, as quais, atualmente, foram relegadas do campo acadêmico, ante a necessidade de se produzir uma tese de fácil execução.

A problemática cultural, por evidente, possui vinculação íntima a fragilidade da educação de base, situação que deságua no campo acadêmico, obrigado a absorver os vícios enraizados no aluno/pesquisador.

A escolha do tema é justamente o próximo capítulo da obra em análise, e nesse contexto, tem-se importante correlação com a investigação descrita no título do presente artigo, especialmente quando se relaciona com a ideia de descobrimento imputado ao aluno. Essa ideia de descobrir o tema que será objeto da tese passa inerentemente pela delimitação da questão em estudo, que por vezes é demasiadamente ampla, denominada por Umberto Eco de tese panorâmica, sem enfoque objetivo (2007, p. 9).

Mencionada tese panorâmica, assim descrita pelo autor, reflete inexoravelmente o cenário atual da pesquisa acadêmica, desprovido de delimitação coordenada e sem ser direcionada a objetivos específicos. Tudo acaba sendo relativizado, sem propósito certo, em um olhar abrangente, mas indefinido.

Especificamente no campo do direito, Gabrich (2018, p. 90) exemplifica que a pesquisa nas universidades brasileiras enfrenta uma crise relevante, uma vez que desvirtuada da função principal, que seria a aproximação do direito da realidade social. A distância que a produção de teses panorâmicas traz da realidade educacional e social contribui para a má qualidade do estudo acadêmico, acarretando em pesquisas rasas e desprovidas de utilidade científica.

Por outro lado, existe também a denominada tese monográfica, destinada a abordagem de um único tema, o que não significa perder de vista o panorama (ECO, 2007, p. 10). Para o autor “quanto mais se restringe o campo, melhor e com mais segurança se trabalha” (ECO, 2007, p. 10), inclusive para construção de estratégias defensivas quando da apresentação do trabalho em banca examinadora.

Essa fase inicial de descobrimento do tema pode vir auxiliada da experiência do professor orientador, mas tendo em mente que a sugestão é em forma de caminho e não de conclusão, ou seja, deve-se buscar uma orientação e não uma resposta pronta, no estilo “fast food”. A orientação – em seu sentido literal – se destina a abrir o caminho, ou indicá-lo, mas, jamais, percorrê-lo pelo aluno, justamente para permitir que o quadro metodológico da pesquisa permaneça ao alcance da experiência do pesquisador.

A orientação deve vir despida de intenções particulares do orientador, sobretudo porque o estudo deve ser útil aos demais integrantes da academia e meio social. A interferência desmedida do orientador, além de prejudicar o caráter o desenvolvimento genuíno do trabalho, pode obstar o completo desenvolvimento do orientando.

Nesse sentido, Umberto Eco esclarece que a posição primordial do orientador reside no exercício sincero do debate, demonstrando, por vezes, indiretamente, os caminhos possíveis do desenvolver da pesquisa e as agruras e felicidades que acompanham sua evolução, sempre ponderando pelo exercício da cátedra de forma independente:

Até porque uma boa tese deve ser discutida passo a passo com o orientador, nos limites do possível. E não para lisonjear o mestre, mas porque escrever uma tese é como escrever um livro, é um exercício de comunicação que presume a existência de um público: e o orientador é a única amostra de público competente à disposição do aluno no curso de seu trabalho. (2007, p. 15)

A orientação assume notável relevância para o desenvolvimento daquilo que se compreende como pesquisa de referência, de tal modo que não há como dissociar a qualidade da pesquisa atual com o eventual desinteresse, tanto do orientando, quanto de seu orientador, por vezes já descrente no desenrolar de uma pesquisa genuína dentro de um campo acadêmico insosso e sobrecarregado.

Dando sequência a análise da obra Como se faz uma tese, percebe-se que a ideia epistemológica do livro se destaca quando Umberto Eco aborda a questão da cientificidade, questionando “Que é a cientificidade?” no subcapítulo 2.6.1 da obra e tentando definir quando um trabalho (tese) merece ser chamado de científico em sentido amplo.

Em outros termos, tem-se que o livro apresenta verdadeiro postulado destinado ao estudo da origem daquilo que se quer denominar de ciência. A compreensão desse fundamento (ciência) permite delinear um cenário conclusivo sobre a pesquisa (e ausência de cientificidade) que atualmente é apresentada no campo acadêmico.

Partindo do conceito de epistemologia trazido por Gelson João Tesser (1994, p. 92) que elucida o termo como: “discurso (logos) sobre a ciência (episteme). Epistemologia: é a ciência da ciência. Filosofia da ciência. É o estudo crítico dos princípios, das hipóteses e dos resultados das diversas ciências”, verifica-se que Umberto Eco desenvolveu, ainda que perfunctoriamente nesse subcapítulo, uma ideia epistemológica da cientificidade da tese, refletindo problemas e métodos para identificar um estudo científico.

Muito embora possa se entender que os requisitos apresentados pelo autor, no tocante à questão da cientificidade, são tidos como questões metodológicas, uma visão mais atenta permite concluir que todos contribuem para uma discussão sobre o valor da ciência e sua natureza. Maciel-Lima (2014, p. 321) ao tratar sobre a cientificidade apresenta dois fundamentos epistêmicos aptos a caracterizá-la (racionalismo e o empirismo), alertando que a cientificidade não pode se limitar a uma análise individual de ambos, mas sim um contato dialógico e complementar que permita a coexistência de tais fundamentos.

Especificamente, Umberto Eco apresenta quatro principais pontos aptos a identificar um trabalho científico, são eles:

1) O estudo debruça-se sobre um objeto reconhecível e definido de tal maneira que seja igualmente reconhecível pelos outros.

2) O estudo deve dizer do objeto algo que ainda não foi dito ou rever sob uma óptica diferente o que já se disse.

3) O estudo deve ser útil aos demais.

4) O estudo deve fornecer elementos para a verificação e a contestação das hipóteses apresentadas. (2007, p. 23)

Seguindo as orientações do autor percebe-se o abismo existente no que toca a rasa qualidade dos trabalhos atualmente desenvolvidos pela academia. Ausente o ineditismo, a identidade de um objeto perceptível por outros vieses, ou ainda a utilidade da pesquisa e seus elementos de verificação, difícil identificar um trabalho que se sobressaia e que possa ser identificado como científico.

Umberto Eco também demonstra ainda uma valorização da ideia de trabalho científico, dizendo que o mesmo nunca faz os outros perderem tempo: “até mesmo trabalhar na esteira de uma hipótese científica para depois descobrir que ela deve ser refutada significa ter feito algo positivo sob o impulso de uma proposta anterior” (ECO, 2007, p. 24). Desenvolver uma tese que englobe os pontos acima citados, portanto, faz com que a abordagem epistemológica relacionada aos problemas metodológicos, axiológicos, interpretativos, dentre outros, possam ser debatidos e analisados com o rigor acadêmico necessário.

A ideia do autor de construir, ou melhor, reconstruir o conhecimento científico, com base em elementos racionais, através do estudo e elaboração da tese, faz compreender um dos ideais próprios da epistemologia (construção do conhecimento científico).

O posicionamento crítico de Umberto Eco, tendente a necessidade de se explorar conceitos científicos, em sentido lato, no âmbito da tese acadêmica envolve uma reflexão verdadeira sobre o papel que a academia pode desenvolver no espaço social, político, filosófico e cotidiano do homem. O reducionismo da pesquisa impõe, destarte, impacto negativo em toda a sociedade, em seus mais variados desdobramentos.

Falar em pesquisa científica, para Umberto Eco, implica no reconhecimento do valor científico que o trabalho precisa demonstrar, desde que a terminologia não seja utilizada como subterfúgio para o desenvolvimento indistinto de trabalhos, tal como uma “linha de produção” laboral: “Ora, fala-se frequentemente nas universidades em ciência, cientificismo, pesquisa científica, valor científico de um trabalho, e semelhantes termos podem ensejar a equívocos involuntários, seja por mistificação ou por suspeitas ilícitas de mumificação da cultura” (ECO, 2007, p. 20).

Willian B. Gomes (1993, p. 7) em seu artigo: As questões epistemológicas e a formação do pesquisador na pós-graduação brasileira elenca alguns questionamentos epistemológicos que podem ser inseridos na ideia de cientificidade apresentada por Umberto Eco, dentre eles destaca-se a qualificação do conhecimento, que bem se enquadra nas preocupações existentes na obra Como se faz uma tese.

Nesse contexto, Gomes (1993, p. 9) sintetiza sua preocupação epistemológica em quatro questionamentos específicos (fato, origem, validade/verificação e implicações do conhecimento) para ao final traçar um paralelo entre ideias e fatos, na busca da ponderação entre o conhecimento:

A preocupação epistemológica consiste em um esforço para encontrar respostas para quatro perguntas muito simples: o que eu sei, como eu sei, por que eu sei e qual o valor do que eu sei. A primeira pergunta refere-se a um problema metafísico de definição de realidade – o que é um fato. A segunda traz o problema de origem, como eu fiquei sabendo, e aponta para a necessidade de procedimentos metodológicos. A terceira traz o problema da qualificação do conhecimento e preocupa-se com sua validade ou verificação. A quarta enfatiza as implicações do conhecimento nos seus aspectos éticos e estéticos. Em suma, as perguntas questionam os modos possíveis de relação entre ideias e fatos, ou seja, a certeza de que uma dada relação é verdadeira, e em que sentido o conhecimento construído, através desta relação, é importante para mim e para os outros. (1993, p. 9)

A identificação da cientificidade, tanto para Eco (2007, p. 21), quanto para Gomes (1993, p. 10), necessita percorrer um caminho epistemológico, da investigação a descoberta dentro dos ideais de pesquisa já descritos no texto (ECO, 2007, p. 23).

Por outro lado, quando Umberto Eco apresenta o subcapítulo 2.6.3 Como transformar um assunto de atualidade em tema científico é possível perceber um conflito epistemológico entre inovação e cientificidade, isso porque apesar da temática tratada no subcapítulo caminhar para um roteiro metodológico, a ideia proposta pelo autor é a possibilidade de construir e conduzir de modo científico uma tese que verse inclusive sobre assuntos da atualidade: “tese científica ou tese política? Dilema falso. É tão científico fazer uma tese sobre a doutrina das ideias em Platão como sobre a política da Lotta Continua na Itália entre 1974 e 1976” (ECO, 2007, p. 32).

Nesse diapasão, possível concluir a pesquisa pode admitir uma variedade temática sem necessariamente se olvidar da característica científica. Essa observação apresentada por Umberto Eco deve servir de alento, mas também de alerta, para o desenvolvimento do trabalho na atualidade, que infelizmente em sua maioria carece de viés científico, seja qual for a tese adotada ou mesmo a área de ensino a que se destina.

Na sequência da obra Umberto Eco ensina ao orientando percepções diretas para evitar que o orientador explore, a seu único proveito, o trabalho acadêmico em desenvolvimento. Nesse ponto, há uma direta e precisa orientação: “ao aceitar um tema de tese, está se inserindo ou não num trabalho coletivo, e pensar se vale a pena fazê-lo” (ECO, 2007, p. 34).

No desdobramento do livro, relativamente aos capítulos 3; 4; 5; e 6 identifica-se uma série de apontamentos metodológicos relacionados: A pesquisa do material; O plano de trabalho e o fichamento; A redação; A Redação definitiva. Tais pontos em muito contribuem para a construção escorreita da tese e da pesquisa como um todo, sobretudo quando da apresentação de exemplos e situações por parte do autor.

Por evidente, e considerando o contexto temporal em que a obra fora originalmente escrita (década de 1970 na Itália), há que se fazer ressalvas quanto aos modelos de pesquisa e uso das novas tecnologias, que tanto contribuem em termos de qualidade e velocidade no desenvolvimento do trabalho. Mas, ainda assim, os ensinamentos e mecanismos de pesquisas apresentados por Umberto Eco (2007, p. 34-79) são de inestimável valia para a produção acadêmica.

Retomar as lições do passado, caminhando com as tecnologias presentes, pode ser um ponto de saída para a melhora da qualidade da pesquisa na atualidade. As valiosas lições metodológicas da obra Como se faz uma tese parecem algo distante da realidade vivenciada na academia; catalogar livros, elaborar fichamentos, utilizar o índice como hipótese de trabalho são exemplos metodológicos descartados pelos alunos movimentados pelo afã de concluir algo, somente pela necessidade cotidiana ou profissional.

O abandono de tais práticas levam a pobreza do aprendizado, mormente porque ao se revolver o passado, em busca de uma nova leitura do futuro, tem-se o caminho mais certeiro para o alcance do conhecimento.

Ao final da obra, Umberto Eco trouxe em apenas uma folha suas conclusões sobre o tema proposto. Sem perder a ironia que lhe acompanhou em todo o livro, o autor iniciou o capítulo 7, denominado Conclusões, com a seguinte frase: “Gostaria de concluir com duas observações: fazer uma tese significa divertir-se, e a tese é como porco: nada se desperdiça” (ECO, 2007, p. 173).

A ideia de nada se desperdiçar passa pelo fato de que toda a construção da tese, desde a escolha do seu tema, desenvolvimento, orientação e sua conclusão envolve estudo, preparo e dedicação, sem olvidar que o levantamento de material e conhecimento pode auxiliar o acadêmico em um futuro não tão distante.

A tese pode ser apenas o começo de um novo projeto ou dar origem a outros, como uma verdadeira ramificação da ciência, que não se freia ou interrompe quando movida por ideais e ideias. Em outras palavras, a tese pode ser a porta de entrada para um universo de conhecimento e enriquecimento cultural, social e filosófico.

Dentre as incontáveis orientações repassadas pelo autor, pode-se destacar o conselho mais genuíno que é “o importante é fazer as coisas com gosto” (ECO, 2007, p. 173). Nessa oportunidade, Eco aproveita para esclarecer que a ideia do livro não é aterrorizar o acadêmico, tampouco desestimulá-lo, pelo contrário, é necessário viver a tese como um desafio que se iniciou na investigação da temática, passou pela construção e preparo acadêmico, desaguando na conclusão da mesma e consequente aprovação acadêmica com a apresentação de um novo conhecimento.

A tese pode ser um instrumento apto a desvendar uma vocação para a pesquisa, sem que isso signifique uma integral e exclusiva dedicação à carreira universitária, renunciando a uma carreira profissional eventualmente já existente. Na realidade, conforme ensina o autor “Pode-se dedicar um tempo razoável a pesquisa mesmo exercendo uma profissão, sem pretender obter um cargo universitário. Mesmo um bom profissional deve continuar a estudar (ECO, 2007, p. 174).

As necessidades profissionais e econômicas muitas vezes impedem que o aluno perceba a possibilidade de correlação da pesquisa com seu desenvolvimento profissional, quando não interpreta, erroneamente, que a dedicação ao conhecimento no campo acadêmico seria um “atraso” no seu caminho profissional. É preciso extirpar tal raciocínio, que tanto mal faz para o desenvolvimento da pesquisa na atualidade, nesse contexto voltar os olhos aos grandes mestres de um passado não tão distante, como Umberto Eco, permite (re)encontrar os trilhos para o desenvolvimento da pesquisa com qualidade, dedicação e comprometimento científico.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A leitura da obra Como se faz uma tese permite elucidar um verdadeiro caminho metodológico relacionado ao desenvolvimento e conclusão da mesma, servindo de parâmetro para elaborar em contraponto uma reflexão do atual estágio de qualidade da pesquisa científica, inclusive de modo global.

Umberto Eco trouxe sua vivência acadêmica em compilados metodológicos, trilhando um receituário exemplificativo, na busca da tese ideal, ou minimamente lúcida, verdadeira e com objeto agregador, sob o ponto de vista do conhecimento, o qual, segundo o autor, precisa retomar o caminho da cientificidade e originalidade presente em um passado não tão distante do atual cenário enfrentado pela academia.

Os apontamentos metodológicos do autor possuem uma aplicação completa no âmbito da tese e pesquisa acadêmica, evidenciando as falhas da pesquisa atualmente exercida no âmbito universitário. Muito embora a origem da obra tenha se dado na década de 1970 na Itália, o diálogo que Umberto Eco estabelece com a pesquisa e o trabalho acadêmico é atemporal, servindo de modo relevante para a pós-graduação brasileira. É possível traçar um paralelo fático entre as dificuldades enfrentadas e narradas pelo autor dentro do âmbito acadêmico com o cenário da pesquisa atual, notadamente no campo jurídico.

O choque acadêmico demonstrado pelo autor serve de alerta para a importância de se repensar o modus operandi de construção do trabalho com ideal de cientificidade. Percebe-se a necessidade de se afastar de conceitos predeterminados, com conteúdos rasos, e sem cronograma metodológico, sobretudo se a ideia pensada pelo aluno é a produção científica de qualidade e utilidade para o meio social ou mesmo para a sua continuidade dentro da produção acadêmica, com posterior desdobramento para programas de mestrado e doutorado.

É preciso repensar o caminho da ciência sem olvidar das lições passadas, associando as inovações presentes e futuras, tais como as novas tecnologias de pesquisa, no intuito de remodelar um conceito raso de estudo que caminha para a produção em massa, prejudicando sobremaneira a qualidade e funcionalidade das pesquisas em sentido lato. A crítica do autor, portanto, recai na precariedade do desenvolvimento da pesquisa, já identificado à época da elaboração do livro.

Conforme elucidado por Umberto Eco a pesquisa se destina a todos, não se restringindo ao aluno e ao orientador, remodelar, portanto, esse conceito fim permitirá o desenvolvimento de qualidade útil ao ramo social envolvido, coisa que vem sendo relegada nos dias atuais com a elaboração de trabalhos sem cientificidade.

Ainda que a problemática epistemológica da obra não tenha sido posta de forma expressa, é possível identificar uma discussão (estudo crítico) sobre o valor da ciência e sua natureza quando da análise da cientificidade da tese (Que é a cientificidade?) no subcapítulo 2.6.1. Nesse ponto, a crítica de Umberto Eco acaba sendo um tanto quanto perfunctória no âmbito da episteme, inclusive porque não é esse o propósito da obra.

Ainda assim, a leitura do texto permite inferir que a episteme da pesquisa sofre verdadeiro prejuízo pela inobservância das sugestões trazidas pelo autor, tais como a necessidade de desenvolver um conhecimento científico preparado para os questionamentos e contrapontos de debates, encontrando a verdadeira ciência da tese.

Por outro lado, as lições metodológicas estão constantes no desenvolvimento do livro, assumindo, portanto, um real destaque da obra, muito embora conforme frisado pelo autor o livro não pretende ser interpretado como um manual. Contudo, os próprios capítulos do texto estão ordenados e preestabelecidos de forma a estruturar o desenvolvimento da tese em um roteiro já trilhado por aqueles que labutam no ramo acadêmico.

Observar essa ramificação metodológica junto com advento de novas tecnologias é um dos caminhos necessários à retomada da pesquisa em termos qualitativos, sobretudo no âmbito da pós-graduação.

A realidade descrita por Eco é que a tese acadêmica, no sentido de pesquisa, deve englobar uma reflexão sobre sua interferência na vida social, ou seja, a tese científica deve valer para a vida, sendo instrumento de acesso ao conhecimento e aprofundamento da ideia de pesquisa.

REFERÊNCIAS

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Notas de Rodapé

[1] Pós-Doutor pela Universidade Nova de Lisboa (2017). Doutor em Direito Civil pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ (2012). Mestre em Direito pela Universidade Federal do Paraná – UFPR (2001). Graduado em Direito pela Universidade Federal do Paraná (1995). Professor Permanente do Programa de Mestrado em Direito Empresarial e Cidadania do Unicuritiba.

[2] Mestrando pelo Programa de Mestrado em Direito Empresarial e Cidadania do Unicuritiba. Pós-graduado em Direito Empresarial pela Escola de Direito de São Paulo – GVlaw (2016). Graduado em Direito pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná – Unioeste (2012). Advogado. E-mail: baldisseraleo@gmail.com.

[3] Mestrando pelo Programa de Mestrado em Direito Empresarial e Cidadania do Unicuritiba. Membro do grupo de Pesquisa Responsabilidade Civil e atividade empresarial, sob orientação do Professor Pós-Doutor Marcos Alves da Silva. Advogado.

E-mail: lcmoreira@osaadvocacia.com.br