DOI: 10.19135/revista.consinter.00021.42

Recebido/Received 01/08/2025 – Aprovado/Approved 20/11/2025

Laura Margarida Paiva Perin[1] – https://orcid.org/0000-0002-1350-7412

Maria Cristina Antunes[2] – https://orcid.org/0000-0002-6767-518X

Resumo

O objetivo deste trabalho de fronteira consistiu em desenvolver um programa de intervenção psicossocial para o fortalecimento do autoconceito de mulheres agredidas pelos seus parceiros com reflexões em grupo sobre violência de gênero e aulas de dança do ventre, utilizando como referência estudos sobre “dance/movement therapy”. Denominado de Projeto Lenço no Quadril, o programa foi aplicado em uma casa de acolhimento no sul do Brasil e teve a participação de sete mulheres. Estruturado em oito encontros, com aproximadamente duas horas de duração cada um, foi concluído em um mês.  Os resultados deste estudo, aferidos a partir de dados registrados em diário de campo e entrevistas semiestruturadas pós-intervenção, foram organizados em quatro grandes categorias, sob os pressupostos metodológicos da análise de conteúdo, a saber: (1) formação de uma rede de apoio entre as participantes, (2) compartilhamento e reflexão sobre as violências sofridas, (3) empoderamento feminino, com reflexos sobre a autoestima, a autoimagem e a autoeficácia para situações de vitimização e (4) a recontextualização das corporalidades. Observou-se que a dança do ventre, associada à verbalização do evento traumático e a reflexões críticas sobre a problemática de gênero, pode ser uma importante aliada na promoção de saúde e bem-estar, assim como no resgate e na reconstrução do autoconceito das vítimas de violência por parceiro íntimo. Sugere-se que novas pesquisas sejam realizadas para aprofundar o conhecimento sobre o impacto psicológico de técnicas de dança no ventre, bem como o seu efeito a médio e longo prazo.

Palavras-chave: violência doméstica contra a mulher, grupos reflexivos, dança do ventre.

Abstract

The objective of this cutting-edge work was to develop a psychosocial intervention program to strengthen the self-concept of women abused by their partners, through group reflections on gender-based violence and belly dancing classes, using studies on dance/movement therapy as a reference. Called the Lenço no Quadril Project, the program was implemented in a shelter in southern Brazil and involved seven women. Structured in eight meetings, each lasting approximately two hours, the study was completed within a month. The results of this study, measured from data recorded in a field diary and post-intervention semi-structured interviews, were organized into four broad categories, based on the methodological assumptions of content analysis: (1) formation of a support network among participants; (2) sharing and reflection on the violence suffered; (3) female empowerment, with reflections on self-esteem, self-image, and self-efficacy in situations of victimization; and (4) recontextualization of corporeality. It was observed that belly dancing, combined with verbalization of the traumatic event and critical reflections on gender issues, can be an important ally in promoting health and well-being, as well as in recovering and rebuilding the self-concept of victims of intimate partner violence. It is suggested that further research be conducted to deepen understanding of the psychological impact of belly dancing techniques, as well as their medium- and long-term effects.

Keywords: domestic violence against women, reflection groups, belly dancing.

Sumário: 1. Introdução; 2. Método; 2.1. Participantes; 2.2. Procedimentos; 2.3. Intervenção; 2.4. Instrumentos; 2.5. Análise de dados; 3. Resultados e Discussão; 4. Considerações finais; 5. Referências.

1  INTRODUÇÃO

A violência contra a mulher é um problema mundial de proporções endêmicas. Segundo dados do relatório global da Organização Mundial da Saúde (OMS, 2022), a violência se generalizou de tal maneira que atinge uma em cada três mulheres no mundo inteiro. Trata-se, portanto, de uma questão estrutural e persistente, cujas consequências se protraem ao longo do tempo mesmo após a cessação da atividade violenta. No Brasil, uma pesquisa realizada com 3000 mulheres pelo Instituto DataSenado junto ao Observatório da Mulher contra a Violência demonstrou que 27% das entrevistadas afirmaram que já sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar provocada por um homem (DataSenado/OMV, 2021). Dentro do universo das mulheres agredidas, o que mais surpreende nas estatísticas é a frequência da violência no contexto da relação com o parceiro íntimo: 52% das entrevistadas declararam ter sido agredidas pelo marido/companheiro, 17% pelo ex-marido/ex-companheiro, 4% pelo namorado e 3% pelo ex-namorado, ou seja, um total de 76% das entrevistadas.

O último ato da escalada violenta pode culminar com a morte da vítima. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2024), dados preliminares indicam que no ano de 2023 foram registrados 1467 possíveis casos de feminicídios no Brasil. Estes dados pouco diferem dos de 2022 (1455 feminicídios), mas representam um aumento significativo em relação aos de 2021 (1319 feminicídios). Se confirmadas as ocorrências, nos últimos três anos, a cada sete horas, uma mulher foi vítima de feminicídio no Brasil. Os dados foram sistematizados e têm como fonte os registros das Polícias Civis das 27 unidades da federação. A confirmação da incidência da qualificadora do feminicídio depende do trânsito em julgado de eventual sentença penal condenatória.

A alta incidência de casos de violência por parceiro íntimo justifica a luta dos movimentos feministas para incluir as pautas de gênero na agenda governamental e para enquadrar a violência contra a mulher como um problema não apenas de justiça e segurança pública, mas também (e principalmente) de saúde pública. Dizer que se trata de um problema de saúde pública implica em reconhecer a necessidade de intervenção estatal na institucionalização de medidas de enfrentamento à violência e de atendimento à mulher em situação de violência, especialmente considerando o amplo leque de possíveis consequências da ação violenta sobre a saúde da mulher – consequências estas, não raras vezes, de longo prazo (Antunes , Padilha, 2015).

A permanência em uma relação violenta pode resultar em distúrbios físicos, psíquicos e sociais. Se a violência ocorre durante a gravidez, aumenta a probabilidade de aborto espontâneo, morte fetal, parto prematuro e nascimento de bebês com baixo peso. Dentre os distúrbios físicos, verifica-se a ocorrência de dores de cabeça, nas costas, abdominais, problemas gastrointestinais, fibromialgia e ossos quebrados (Campbell et al., 2018; Gibson et al., 2019; Liu et al., 2020; Loxton et al., 2017; Thomas et al., 2021). No plano da saúde mental, a violência contra a mulher praticada por parceiro íntimo pode levar à depressão, estresse pós-traumático, ansiedade, distúrbios do sono, transtornos alimentares, desenvolvimento de alcoolismo e tentativas de suicídio (Ahmadabadi et al., 2020; Baker et al., 2021; Brown et al., 2020; Charak et al., 2020; Daugherty et al., 2021; Kandeger , Naziroglu, 2021; Nair et al., 2020; Reyes et al., 2020). Além dos danos individuais, a violência sofrida acarreta, dentre outros, custos sociais e econômicos. Estas mulheres podem sofrer de isolamento, incapacidade para o trabalho, perda de salário, ausência de participação em atividades regulares e limitação de capacidade para cuidar de si próprias e de seus filhos (OPAS, 2024).

Considerando os danos à saúde da mulher e os custos sociais da violência por parceiro íntimo, é necessário pensar não apenas em alternativas de enfrentamento à violência e de desenvolvimento da empatia masculina, mas em instrumentos e estratégias de recuperação da confiança das mulheres que sofrem a ação violenta. Aquelas que continuam vivas têm direito a uma caminhada digna. É nesse contexto que se insere a presente pesquisa. O que se propôs foi o desenvolvimento de um programa de intervenção psicossocial para o resgate, o fortalecimento e o empoderamento de mulheres agredidas, associando exposições dialogadas em grupo sobre violência de gênero a aulas de dança do ventre. Este programa de intervenção foi denominado de Projeto Lenço no Quadril.

Poucos são os estudos que associam a dança como possibilidade de intervenção criativa com mulheres que sofreram violência por parceiro íntimo e por isso é possível que se questione: por que intervir com dança?

No entanto, uma pesquisa publicada no ano de 1991 sugere que a dança pode ser uma ferramenta auxiliar no tratamento de mulheres maltratadas pelos seus parceiros, através de uma técnica denominada de “dance/movement therapy” (Leventhal e Chang, 1991). A intervenção grupal favorece o desenvolvimento da expressão individual e coletiva, a convivência social equilibrada e solidária, a aprendizagem e o apoio interpessoal (Brito et al., 2022). Auxilia, outrossim, na quebra da tendência ao isolamento já que, provavelmente, esta mulher se afastou dos seus amigos e familiares enquanto estava experienciando o abuso. A possibilidade de compartilhar a dor com outras mulheres que também foram vítimas de VPI contribui para aliviar o sentimento de culpa alimentado pelas sucessivas vezes em que perdoou o seu agressor (Leventhal e Chang, 1991).

Na perspectiva metodológica da pesquisa-ação, um estudo realizado na Espanha sobre a utilização da dança como estratégia terapêutica em casos de violência por parceiro íntimo descreve uma intervenção estruturada em 24 encontros, divididos em três blocos. O primeiro bloco tratou de abordagem pessoal e conhecimento corporal (com 4 sessões); o segundo, desenvolvimento afetivo-emocional através da dança (com 8 sessões); e o terceiro, criação artística de obra coreográfica (com 12 sessões). Esse estudo se iniciou com a participação de 7 mulheres agredidas, de diferentes etnias, com idades entre 18 e 42 anos, refugiadas em um abrigo na Espanha, mas não se concluiu em razão da curta permanência das mulheres na casa. No entanto, uma das participantes se voluntariou para continuar o plano da intervenção até o final e a pesquisa se desenvolveu como estudo de caso único. Em relação a esta participante, foram observadas mudanças em nível cognitivo (gestão emocional), afetivo (fortalecimento de autoconceito e redução de ansiedade) e comportamental (melhora da assertividade e da capacidade de enfrentamento de problemas) (Vera-Steban e Cardona-Moltó, 2022).

Em recente estudo de revisão sistemática realizado para avaliar o impacto da terapia do movimento e a eficácia da dança no manejo de traumas psicológicos, constatou-se que: (1) a intervenção mente-corpo melhora a saúde física e mental, ativando processos psicofisiológicos (como coordenação motora e expressão das emoções), (2) as habilidades e o treinamento do terapeuta (ou de quem lhe faça as vezes) são fatores importantes a serem considerados na avaliação do impacto dos sintomas pós-traumáticos e (3) a utilização da dança com finalidade terapêutica pode ser uma técnica útil para melhorar sintomas psicológicos e fisiológicos associados à exposição ao trauma, como evitação e fenômeno dissociativo  (Tomaszewski et al., 2023)

A dança em si, sozinha, já proporciona a sensação de aterramento ao próprio corpo, mas o dançar em grupo se faz terapêutico na medida em que refina a percepção do indivíduo em relação a si e em relação ao entorno, estimulando o senso de reconhecimento entre os membros e pertencimento à unidade coletiva, além de fortalecer a conexão mente-corpo e permitir a expressão de sentimentos e emoções de maneira não verbal (Brito et al, 2022). Técnicas de improviso estimulam a espontaneidade e a criatividade. O domínio sobre a respiração minimiza reações instintivas ao medo e à raiva. Os movimentos corporais executados durante as dinâmicas de grupo permitem que estas mulheres descubram suas próprias metáforas e conectem a dança a situações concretas experimentadas em vida, substituindo padrões arraigados de imobilização (Leventhal, Chang, 1991). A intervenção grupal favorece o desenvolvimento da exressão individual e coletiva, a convivência social equilibrada e solidária, a aprendizagem e o apoio interpessoal (Brito et al., 2022).

No presente artigo serão apresentados os resultados obtidos com a participação de 7 mulheres agredidas no Projeto Lenço no Quadril.

2  MÉTODO

Trata-se de pesquisa qualitativa delineada como estudo de caso em que se desenvolveu um programa de intervenção psicossocial para o fortalecimento do autoconceito de mulheres que sofreram violência por parceiro íntimo através de exposições dialogadas em grupo sobre violência de gênero e aulas de dança do ventre. Para a análise do processo, foi elaborado diário de campo, e, com o objetivo de avaliar os resultados da intervenção, foram realizadas entrevistas semiestruturadas no período pós-intervenção. Os dados foram analisados sob os pressupostos metodológicos da análise de conteúdo, agrupando-se as falas das participantes por afinidade em categorias e subcategorias convergentes (Franco, 2021).

2.1  Participantes

Participaram do estudo sete mulheres que sofreram violência por parceiro íntimo, recrutadas em uma casa de acolhimento no sul do Brasil. Aderiram à proposta três acolhidas, três trabalhadoras da casa e uma participante externa (todas cisgênero e heterossexuais). Entre as participantes, havia mulheres brancas, pardas e pretas. As idades variavam entre 22 e 66 anos. O grau de escolaridade, entre ensino fundamental completo/médio incompleto (n = 2), médio completo/superior incompleto (n = 2) e superior completo (n = 3). Das acolhidas, apenas uma possuía renda própria (aproximadamente R$ 700,00 por mês). Entre as trabalhadoras, a renda individual variava entre R$ 1.700,00 e R$ 3.500,00 por mês. A participante externa preferiu não revelar esta informação. A amostragem era, portanto, heterogênea. Para garantir anonimização de dados, as falas das participantes serão referidas através de pseudônimos.

2.2  Procedimentos

Aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Tuiuti do Paraná, a pesquisa foi realizada em uma Organização Não Governamental no Sul do Brasil. O consentimento institucional foi obtido após apresentação do projeto de pesquisa à diretoria, com o detalhamento das atividades que seriam desenvolvidas na intervenção. Os encontros foram programados para ocorrer entre oito e dez horas da noite, de modo a não prejudicar o jantar das acolhidas. No local, foi reservada uma sala para a realização das atividades. Houve autorização da diretoria para a instalação de espelhos e ambientação do espaço. A divulgação da pesquisa foi feita internamente, pela própria diretoria da ONG, pois as acolhidas residem provisoriamente na casa, sob condição de sigilo.

2.3  Intervenção

A intervenção, já descrita em publicação anterior (Perin e Antunes, 2024), foi estruturada em 8 encontros e se concluiu em um mês. À exceção do primeiro e do último, que foram reservados para aplicação de questionários sociodemográficos e realização de entrevistas individuais, os demais foram divididos em duas etapas: uma exposição dialogada sobre violência de gênero e uma aula de dança do ventre. As exposições foram realizadas com o apoio de slides, a fim de captar a atenção das participantes e facilitar a compreensão dos conteúdos abordados. As participantes, sentadas em círculo, foram incentivadas a se manifestar livremente em dinâmicas horizontalizadas, que promoveram tanto a interação entre o grupo quanto a valorização da escuta e das falas individuais de cada uma, com a utilização de bastão da palavra em determinados momentos. As aulas de dança, por sua vez, foram planejadas especificamente para a realidade da mulher agredida, fundamentando-se em estudos sobre psicologia corporal e movimento-terapia, não se restringindo ao ensino técnico da dança do ventre. O ambiente foi intencionalmente preparado para despertar experiências sensoriais de acolhimento e encantamento (com a utilização, por exemplo, de luz de velas, penumbra, incensos, flores, almofadas coloridas, lenços de paetê).

A construção do roteiro da intervenção envolveu diálogo interdisciplinar entre Psicologia e Direito a respeito do complexo fenômeno da violência por parceiro íntimo.  Abordou-se a dinâmica relacional entre agressor e vítima, a forma como os parceiros interagem, os aspectos socioculturais que contribuem para a expressão dos comportamentos controlador e submisso, o contexto da formação do vínculo de codependência afetiva entre os parceiros, os mecanismos de progressão da violência e o seu escalonamento para a estrutura cíclica. Também foram apresentadas às participantes as conquistas do movimento feminista que contribuíram para a igualdade de gênero entre homens e mulheres (ainda que marcadas por uma persistente sub-representação feminina nas estruturas de poder), a evolução dos direitos das mulheres no Brasil através da história, os processos de criminalização das condutas consideradas abusivas, os tipos penais correspondentes e os instrumentos legais e jurisdicionais de proteção jurídica da mulher em situação de violência no Brasil.

2.4  Instrumentos

O roteiro de entrevista semiestruturado foi elaborado com questões abertas para analisar a motivação e as expectativas das participantes sobre as intervenções. As perguntas investigaram se, após o projeto, as participantes se sentiam mais aptas a falar sobre experiências de violência, identificar sinais de relacionamentos abusivos, fortalecer vínculos afetivos, buscar ajuda e reconstruir a autoestima. O roteiro também explorou como a dança contribuiu para a recuperação da autoconfiança, autoimagem, autonomia e relação com o próprio corpo. Comentários livres convidaram à reflexão sobre aprendizados, aspectos emocionais e sugestões de melhoria, promovendo um olhar sobre a transformação pessoal vivida ao longo do processo.

2.5  Análise de Dados

A interpretação dos dados fundamentou-se nos pressupostos metodológicos da análise de conteúdo, concentrando-se na organização dos resultados em categorias e subcategorias convergentes, que foram definidas a posteriori, ou seja, a partir da fala das participantes e da comparação destas falas com o referencial teórico desenvolvido pela literatura sobre os temas da pesquisa. Para a análise, foram percorridos seguintes passos: escuta e degravação do conteúdo das entrevistas; agrupamento das falas por afinidade (ideias comuns); organização do corpus informacional de acordo com a pertinência temática de cada fala; identificação das relações das categorias entre si; discussão dos resultados.

3  RESULTADOS E DISCUSSÃO

A partir das respostas das participantes à entrevista realizada no final do estudo e da análise dos relatórios da observação-participante registrados em diário de campo, foi possível identificar quatro grandes categorias de resultados com a implementação do programa de intervenção:

Quadro 1 – Categorização dos resultados obtidos com o Programa de Intervenção

Categorias

Subcategorias

Formação de rede de apoio entre as mulheres que aderiram ao programa de intervenção

1. Fortalecimento das relações de amizade

2. Desenvolvimento de empatia

3. Lugar de fala

4. Lugar de escuta

5. Sororidade

6. Sensação de acolhimento

Trocas reflexivas

1. Retorno ao passado

2. Confronto com a própria vulnerabilidade

3. Conscientização sobre a violência sofrida

4. Verbalização da experiência traumática

5. Alívio da dor

6. Sensação de libertação

Empoderamento feminino

1. Fortalecimento da autoestima

2. Fortalecimento da autoimagem

3. Fortalecimento da autoeficácia para situações de vitimização

4. Ampliação do repertório de informações sobre VPI

Aprimoramento das corporalidades

1. Consciência sobre o próprio corpo

2. Recuperação da mobilidade adormecida

3. Resgate da sensualidade

4. Desenvolvimento da extroversão

5. Sensação de bem-estar

Formação de rede de apoio entre as mulheres que aderiram ao programa de intervenção

A primeira categoria de resultados que emergiu da prática interventiva consistiu na formação de uma rede de apoio entre as participantes, a partir do (1) fortalecimento das relações de amizade entre as mulheres que aderiram à proposta de estudo, (2) do desenvolvimento da empatia entre trabalhadoras da casa e acolhidas, (3) da instituição de um lugar de fala para as vítimas de violência por parceiro íntimo, (4) da constituição de um lugar de escuta, através da oportunidade de ouvir, aprender e se sensibilizar com a história uma da outra e com as novas informações com as quais passaram a ter contato, (5) do estabelecimento de um vínculo de sororidade entre as presentes, através das práticas de acolher, não julgar e oferecer ajuda mútua e, por fim, (6) da sensação de acolhimento, uma vez que as participantes tiveram a oportunidade de se despir da vergonha, elaborar o trauma e perceber que não estavam sozinhas em seu sofrimento e em suas demandas emocionais.

No caso em estudo, as mulheres que se submeteram ao programa de intervenção já possuíam vínculo prévio. Três trabalhavam juntas e três estavam convivendo provisoriamente sob o mesmo teto. Não eram desconhecidas, portanto. No entanto, ainda que possuíssem um passado comum, não conheciam, em detalhes, a história uma da outra e, pelo que se constatou a partir das respostas à entrevista, mantinham um relacionamento caracterizado pela ausência de intimidade. A participação no programa de intervenção as aproximou. Reduziram-se as barreiras entre trabalhadoras e acolhidas e, ainda que cada um destes grupos desempenhasse um papel distinto na teia relacional, a partir do momento em passaram a se enxergar como iguais, as defesas caíram, a hierarquia desapareceu e a distância deu lugar ao pertencimento. Este fato originou a primeira subcategoria de resultados: o fortalecimento das relações de amizade.

Observou-se também que a participação no Projeto Lenço no Quadril as ajudou a desenvolver empatia, principalmente das trabalhadoras em relação às acolhidas. Percebendo que ocupavam o mesmo lugar, estas mulheres passaram a compreender melhor os sentimentos e as emoções umas das outras, com menor incidência de julgamentos. A fala de Jade é simbólica:

Eu aprendi a poder lidar mais com o próximo, a me colocar mais no lugar da outra pessoa, sabe? Respeitar, independente do que ela passou, porque, às vezes, tu julga a pessoa e não é aparentemente aquilo que está acontecendo com ela. (Jade – trabalhadora da casa)

A intervenção em grupo, da maneira como foi estruturada, viabilizou a instituição de um lugar de fala para as vítimas de violência por parceiro íntimo, que tiveram a oportunidade de romper o silêncio estrutural imposto pela violência, dar visibilidade ao discurso e promover comoção. Apesar do sentimento de vergonha, as participantes, encorajadas umas pelas outras, se desinibiram. Riram juntas, choraram juntas e se emocionaram juntas. Nesse espaço, as participantes tiveram a oportunidade de refletir sobre a violência por parceiro íntimo a partir de novos ângulos e pontos de vista, absorver informações que não eram do seu conhecimento e ampliar o repertório jurídico, relacional e auto protetivo. A resposta de Rhanya, trabalhadora da casa, atesta esta subcategoria de resultados:

Eu acho que quando a gente senta e fala sobre isso [VPI], sempre aprende alguma coisa. No meu caso, ainda, que trabalho em uma área afim, aprendi algumas coisas que eu não sabia. Algumas palavras (como o gaslighting) e onde fazer algumas coisas. (Rhanya – trabalhadora da casa)

No espaço de escuta, as participantes sentiram-se confortáveis para compartilhar suas próprias experiências, como demonstra a resposta de Sanaa:

A vida é uma correria sem tamanho. Então, a gente já vive, praticamente, no automático, no dia a dia. E a gente poder ter esse momento de poder sentar, se abrir e alguém te escutar. E você poder escutar a história de outro é uma coisa, assim, confortadora. (Sanaa – trabalhadora da casa)

Fortalecidos os laços de amizade e a consciência empática, assegurada a possibilidade de fala e de escuta, estabeleceu-se entre as participantes um vínculo de sororidade, pois estas mulheres passaram a demonstrar mais disposição para apoiar uma à outra, respeitar as diferenças, desenvolver afeto e sentimentos de irmandade. A resposta de Jamila é simbólica e ilustra esta subcategoria de resultados:

Aqui uniu muito, né? Foi uma coisa muito boa... (Jamila – acolhida)

Por fim, a interação social, a integração com o grupo, a condução das atividades de maneira horizontal e amorosa, o falar, o ouvir e o não julgar, produziram nas participantes a sensação de acolhimento, tão necessária a mentes e corpos agredidos que precisam de descanso:

Eu ficava contando os dias pra vir aqui, porque eu me senti muito bem aqui, sabe, usando os lenços, e a gente conversar, e a gente aprender cada dia uma coisa nova. Pra mim foi muito bom! (Jamila – acolhida)

Ainda que não tenha sido repetida na entrevista, a fala de Saida no segundo encontro do programa de intervenção é também um dado que evidencia este estado de pertencimento e refúgio proporcionado pelo programa de intervenção:

Acho que eu nunca me senti tão feliz como eu estou me sentido aqui! (Saida – acolhida)

Construir e consolidar redes de afeto são processos intimamente relacionados à convivência. A interação recíproca, dignificada pela troca de experiências comuns, conjunção de olhares, contato físico e respeito mútuo, fortalece os elos de relacionamento, permitindo o estreitamento dos laços de amizade, solidariedade e cooperação, assim como o enfrentamento e a superação de crises.

A necessidade de fortalecer as redes sociais de apoio da mulher agredida é reiteradamente reforçada pela literatura. Uma das múltiplas consequências da violência por parceiro íntimo é o isolamento social da vítima (Albuquerque Netto et al, 2017; Echeburúa, Muñoz, 2017). Pouco a pouco, rompem-se os vínculos exteriores ao relacionamento, diminuindo a amplitude enfraquecendo a densidade da rede primária, sobretudo nas relações em que o agressor demonstra ter comportamento controlador (Santos et al, 2022). Com a reiteração destes comportamentos, a vítima é afastada do convívio familiar e social, situação que compromete a sua capacidade de estabelecer vínculos interpessoais, e, quando o companheiro encontra espaço para controlar todos os aspectos da vida da mulher, pode proibi-la de trabalhar, dificultando ainda mais o acesso à rede (Carneiro et al, 2017). A literatura descreve que o isolamento progressivo é acompanhado por sentimentos de culpa, vergonha, inferioridade e imobilização, que fazem com que a mulher, temerosa de estigmas, julgamentos e de novos episódios de violência, deixe de se reconhecer como sujeito de direitos dentro da relação (Leitão, 2014; Moreira et al., 2011). Rhanya, por exemplo, experimentou isolamento extremo ao ser submetida a cárcere privado durante o relacionamento com o agressor.

A literatura ainda destaca a importância do apoio da rede na formulação de um plano de segurança para as vítimas, que inclui quem contatar para buscar ajuda, palavras-código ou sinais de alerta previamente combinados com pessoas próximas (familiares, amigos e/ou vizinhos), auxílio na seleção de itens pessoais caso seja necessário deixar a residência, além do acesso a ferramentas digitais que possam auxiliar, por exemplo, no arquivamento de documentos judiciais online (no Brasil, muitas das intimações ocorrem através do aplicativo WhatsApp) e no acesso rápido aos profissionais da segurança pública (facilitado por ferramentas como o botão do pânico) (Silva et al, 2023). Nesta pesquisa observou-se através da fala de Nour o caráter estratégico da rede:

Já que eu já sei que aqui tem uma ONG e que eu tenho o contato delas, no primeiro sinal, eu iria procurar por elas! (Nour – acolhida)

Aos profissionais que atuam na rede de apoio, é essencial que sejam capacitados para reconhecer os indicadores de abuso e exercer a escuta sensível e empática para identificar os interesses da vítima, já que são as exigências da mulher que irão direcionar o procedimento profissional e a gestão dos cuidados de que ela necessita, independentemente da esfera de atuação (jurídica, policial, social, médica ou psicológica). Daí a importância de garantir à vítima, dentro da teia relacional, lugar de fala e de lhe proporcionar espaço de escuta.

A expressão lugar de fala designa a autorização discursiva que confere visibilidade narrativa a determinado ponto de vista, a partir do lócus social do narrador, com vistas de obter a este narrador e ao grupo ao qual ele pertence acesso a espaços de cidadania (Ribeiro, 2023). Especificamente em relação a mulheres agredidas, que têm a sua identidade ocultada pelo medo, pela culpa e pela vergonha, garantir-lhes lugar de fala significa romper com o postulado do silêncio imposto pela violência e representa o início do processo de revitalização da autonomia que lhes foi subtraída. O processo de revelação, todavia, é desafiador, sobretudo aos profissionais de apoio, o que justifica a necessidade de uma escuta pautada pelo desenvolvimento da empatia (Davies et al., 2023). A literatura revela que as vítimas sofrem preocupações com a sua segurança e confidencialidade (Heron, Eisma, 2021), além do medo de serem julgados negativamente (Ansara, Hindin, 2010).

É preciso ressalvar, no entanto, que diante da complexidade de aspectos envolvidos no ciclo da violência, a interferência das redes sociais primárias e secundárias pode ser um fator protetor ou de risco, de sorte que, para garantir apoio efetivo na busca de ajuda, com rompimento no ciclo de violência, é imprescindível trabalhar com a sociedade o conceito de gênero e sua influência nas atitudes violentas (Baragatti et al, 2019).

Trocas reflexivas

Através do programa de intervenção, as participantes rememoram emoções e cenas de vulnerabilidades. Encorajadas pelo grupo, verbalizaram a experiência traumática, dividindo umas com as outras suas dores e histórias de vida. As trocas reflexivas, através do processamento e da integração de conteúdos não organizados, é a segunda grande categoria de resultados obtida com o programa de intervenção.

No início, foi uma verdadeira visita ao passado. Aquela coisa que você fica com medo de como vai reagir... Aquele teste que foi feito no início, não deixa de ser uma visita ao passado, porque eu revivi tudo o que eu passei. (Sanaa – trabalhadora da casa)

Eu me sentia muito desconfortável. Me dava ansiedade. Me dava crise ali. (Saida – acolhida)

Os sentimentos de vergonha, culpa e medo, comuns a quem vivenciou a violência por parceiro íntimo e que repercutem consideravelmente sobre a autoimagem e a identidade das vítimas, também afetaram Jamila:

No começo eu fiquei com um pouco de receio, porque falar sobre o que eu vivi é muito difícil pra mim. (Jamila – acolhida)

Este processo de integração do evento traumático estimulado pelo compartilhamento coletivo de experiências, colocou as participantes em confronto com as suas próprias vulnerabilidades:

Aí tu está numa casa que tu está dando um suporte. Tem que ter o suporte pras meninas. E eu me senti um pouco constrangida de estar na mesma situação que elas... Daí até a conversa entre a gente e elas mudou, sabe? (Jade – trabalhadora da casa)

O confronto, no entanto, auxiliou-as na identificação de emoções acumuladas e na reestruturação de memórias antigas.

Falar é importante. E falar o que tá acontecendo ali foi muito importante. (...) Eu nunca tinha falado com ninguém sobre o que eu vivi. (Jamila – acolhida)

Ainda que possa ser doloroso, reconstituir o conflito através das palavras e trazer para o campo da linguagem um passado que se faz presente com intensidade, possibilita o enfrentamento de emoções incômodas que eram anteriormente evitadas (Barbosa Neto, Rocha, 2015). O passado deixa de ser uma ameaça, como evidencia a resposta de Sanaa:

Antes tinha aquela barreira, sabe? Eu evitava, digamos, comentar sobre. Aquela coisa: deixa em uma caixinha guardada que é melhor não falar, deixa lá, sabe? E justamente era esse o medo que eu tinha, de colocar isso para fora. E eu não sabia se eu ia desabar, o que que eu ... e o que que ia acontecer. Então, foi uma surpresa para mim, positiva, graças a Deus. (Sanaa – trabalhadora da casa)

Nomear as violências, deixando explícitas as suas categorias, facetas e dinâmicas, além de promover a conscientização das vítimas e alterar a percepção sobre como a violência se manifesta no contexto da relação com o parceiro íntimo, é também uma forma de empoderamento, pois permite que a vítima se antecipe ao agressor em situações futuras:

Eu achei importante porque fez com que eu visse coisas que eu passei, que eu não considerava que fosse um abuso, sabe? E isso foi muito importante pra mim, pra poder lidar com situações parecidas daqui pra frente. (Jade – trabalhadora casa)

Semelhante à reação inflamatória desencadeada pelo organismo às injúrias do corpo, o processo de elaboração do trauma é necessário para a regeneração dos tecidos da alma. A dor volta à cena, mas ocupa um lugar cada vez menor no palco, dando espaço, pouco a pouco, à sensação de alívio:

Algumas vezes em que eu tive que relatar sobre o que eu sofri, eu me senti desconfortável. Mas, com o tempo, tu vai falando aquilo ali, é como se... No começo, dói. Só que, depois, aquela dor vai ficando menor, sabe? (Jamila – acolhida)

No último encontro do Programa de Intervenção, as participantes tiveram a oportunidade de escrever uma carta de despedida, dizendo adeus àquilo que lhes causou dor. Assim que concluíram a escrita, as cartas foram incineradas. As participantes choraram enquanto as cartas queimavam, demonstrando estar experimentando um processo de renovação interior:

A gente teve momentos que emocionaram bastante, mas esse último encontro... Nossa! Aquela coisa de se escrever tudo que tu não quer mais, né? E dar adeus para tudo! E vai escrevendo. E vai, querendo ou não, vivenciando tudo de novo... Passou um filme na minha cabeça. Foi bem marcante. Foi muito bom e acho que me ajudou a me libertar mais ainda. (Sanaa – trabalhadora da casa)

A verbalização do evento traumático, com ênfase na narração da história pessoal, embora muitas vezes difícil, pode ser de grande valia (Correa et al., 2018). O processamento e a integração de conteúdos não organizados através de reflexões em grupo, constitui, pela via do ensino/aprendizagem, uma oportunidade importante de questionamento e atuação sobre a realidade (Ramos , Oltramari, 2010). Enquanto o processamento compreende o ato de tratar, reconfigurar e transformar conteúdos emocionais, a integração corresponde à ideia de unificar, dar consistência e coerência a um complexo de informações não organizadas (Britto et al., 2022). A troca de conselhos e vivências, além do acesso a informações até então desconhecidas sobre a violência por parceiro íntimo, suas dinâmicas e diferentes formas de manifestação, é também um mecanismo de superação de padrões socialmente impostos que envolvem o significado de ser homem e de ser mulher (Vasconcelos, Cavalcante, 2019). Em espaços grupais, a reflexão coletiva sobre temas sensíveis influencia na maneira como as mulheres se posicionam em suas vidas e em suas relações (Hoepers, Tomanik, 2018), diminuindo o espectro de tolerância à violência, antes naturalizado.

Empoderamento feminino

O relato das participantes acerca da sua participação no Programa de Intervenção, levou à identificação de uma terceira grande categoria de resultados: o empoderamento feminino. Após a participação no Programa de Intervenção, elas relataram melhora da autoestima, pois passaram a ter uma percepção mais amorosa de si próprias e maior consciência do próprio valor. Neste sentido, a fala de Jamila é emblemática:

Minha autoestima melhorou muito, muito mesmo, porque eu não tinha autoestima nenhuma. Eu não conseguia olhar no espelho. Eu tapava esse espelho na minha cara. Não conseguia me olhar. Eu era muito humilhada, né? Com a dança do ventre eu consegui... Hoje eu sei que eu sou capaz de tudo. Eu sou livre. Eu me amo! (Jamila – acolhida)

Verificou-se, também, resultados positivos quanto à autoimagem. As participantes passaram a apresentar um comportamento que revelava aceitação e gentileza consigo mesmas. Olhar-se no espelho deixou de ser um desafio e passou a ser prazeroso. Estimuladas pela prática de dança do ventre, também demonstraram maior disponibilidade para cuidar do próprio corpo e da aparência. A fala de Jamila evidencia a reconciliação mente e corpo:

Meu Deus, eu não conseguia nem me olhar. Eu me sentia muito feia... (...) Agora eu consigo me olhar no espelho. Agora eu consigo me amar mais. Consigo me maquiar, passar um batom... Coisas que eu não fazia! (...)  A dança me ajudou, me devolveu isso. Me trouxe de volta. Pegou laaaá no fundo e me trouxe de volta. (Jamila – acolhida)

Tanto as aulas de dança como os conteúdos trabalhados nas rodas de conversa foram pensados para a situação da mulher agredida, de modo a estimular a reflexão crítica sobre violência por parceiro íntimo e uma atitude mais firme e proativa em face de nova agressão. Neste contexto, observou-se, também, resultados positivos na percepção de autoeficácia, para situações de vitimização, na medida em que as participantes demonstraram sentir-se mais confiantes para reagir diante do perigo, sem a passividade característica das relações assimétricas. Rhanya, que estava em um relacionamento estável, teve a oportunidade de experimentar essa sensação logo após a segunda aula:

O que eu respondi naquele dia pra ele, talvez eu não tivesse respondido antes... Então, eu consegui dizer pra ele que eu cheguei feliz em casa e que ele quebrou aquilo. Uma resposta grosseira que ele teve. De ficar emburrado. Eu nunca tinha, assim, eh, geralmente, a nossa reação mais fácil é (GRRR) brigar e discutir e tal. E naquele momento eu não briguei e discuti. Acho que o que eu passei aqui naquele dia, relaxou. E eu me senti mais plena e mais autônoma pra chegar e dizer: não fiz nada de mais. Quer achar ruim? Continua achando. Então, naquele dia, a minha resposta foi muito mais controlada do que teria sido antes. (Rhanya – trabalhadora da casa, em referência ao dia em que chegou uma hora mais tarde em casa em razão da sua participação no projeto e percebeu que seu marido/companheiro estava com ciúmes)

Jade e Saida, mencionando a capacidade atual de se defender em caso de nova agressão, demonstraram um incremento no repertório autoprotetivo:

A novidade é que hoje - hoje! - eu sei me defender... Sei me defender hoje! Hoje eu não aceito nem um t... nem um décimo do que eu do que eu passei. Depois que eu participei aqui, eu não consigo mais... (Jade – trabalhadora da casa)

Aprendi a me defender (Saida – acolhida)

Por fim, encerrando a categoria “empoderamento”, verificou-se a ampliação do conhecimento das participantes a respeito dos temas que tangenciam a violência por parceiro íntimo. A tomada de decisão informada é, talvez, uma das atitudes mais sábias que uma pessoa pode ter com relação ao próprio destino.

Aprendi algumas coisas em relação ao gaslighting e como orientar outras pessoas a procurar ajuda. (Rhanya – trabalhadora da casa)

Por exemplo, aquela moça que você trouxe pra fazer uma palestra pra gente... Achei muito importante aquilo, porque ela colocou claro algumas coisas que eu achei importante, pelo sentido de procurar, não ficar esperando, aguardando... (Jade – trabalhadora da casa, em referência ao procedimento para requerer medidas protetivas de urgência)

Constatou-se, também, alterações na percepção sobre o comportamento violento e maior conscientização sobre as dinâmicas entre o agressor e a vítima:

Eu consegui aprender muita coisa que eu não sabia, não tinha conhecimento. Assim, as coisas que tu falou ali sobre violências, que muitas vezes a gente sofreu e não sabe. Eu consegui aprender muito, muito, muito nessas aulas. (Jamila – acolhida)

Empoderar mulheres é uma forma de alcançar equidade de gênero, garantindo saúde, segurança e bem-estar nas relações de afeto. A Organização Mundial da Saúde define o empoderamento como “um processo multidimensional que permite que as pessoas obtenham controle sobre as próprias vidas” (OPAS/OMS, 2005). Especificamente em relação às mulheres, o empoderamento se relaciona a um processo de emancipação individual que reflete a necessidade de reverter as desigualdades existentes nas sociedades patriarcais, a partir do fortalecimento do autoconceito em suas várias dimensões (autoestima, autoimagem e autoeficácia) e do acesso a informações relevantes que lhes permitam tomar melhores decisões em matéria de saúde (como práticas sexuais mais seguras, identificação de comportamentos violentos, repertório auto protetivo, conhecimento jurídico suficiente para exigir os direitos que lhes são próprios e para saber onde e quando procurar ajuda) (Comes et al., 2020).

Especificamente em relação à autoimagem e à autoestima, a literatura aponta que as mulheres agredidas passam a se enxergar com insatisfação, sofrendo alterações na forma de percepção do próprio corpo, perda do interesse em cuidar de si e da aparência, desmotivação e sentimento de desvalorização consigo mesmas (Souza et al, 2018). Neste contexto, mais do que fazer as pazes com o espelho, é necessário que a vítima passe a enxergar o próprio corpo como um lugar seguro e não mais como território invadido pela violência (Dourado e Noronha, 2015). O Psiquiatra Bessel Van Der Kolk (2020) é enfático em afirmar que o corpo e o estudo das corporalidades deve ser integrado às práticas de saúde, sugerindo atividades como yôga, teatro, canto e dança para o aprimoramento da capacidade de agência (controle/liderança) sobre vida e as humanas. No estudo desenvolvido por Vera-Esteban e Cardona-Moltó (2022), verificou-se, assim como no presente estudo, que a dança tem o potencial de restaurar o autoconceito da mulher agredida, proporcionando sentimentos de otimismo, confiança, tranquilidade e bem-estar, assim como alívio do medo e redução do estado de nervosismo.

Recontextualização das corporalidades através da dança do ventre

A verbalização do evento traumático e a dança conduziram as participantes da pesquisa a uma jornada de reconciliação com o próprio corpo, caracterizada pela autodescoberta, pela recuperação da mobilidade adormecida, em alguns casos, pelo desenvolvimento da extroversão, em outros e pelo resgate da sensualidade. Observou-se a desconstrução do discurso corporal da violência, a partir da reconstrução de um discurso corporal de poder, utilizando a dança como recurso metodológico. As participantes, através das técnicas de dança do ventre que lhes foram ensinadas, relataram ter adquirido maior consciência sobre o próprio corpo:

A dança do ventre, na minha vida, foi uma experiência totalmente nova, bem diferente de tudo o que eu já vi. Nossa... Essa descoberta de, tipo, quadril! Os movimentos... Tem músculos no corpo que a gente nem fazia ideia, né? Eu, por exemplo, vim de dança de salão, mas é aquela coisa mais contida. E aqui parecia que eu estava conhecendo o meu corpo de novo! (Sanaa – trabalhadora da casa)

No caso de Nour, a dança do ventre possibilitou que um corpo enrijecido pela violência recuperasse a mobilidade. Observa-se que a sua limitação não estava relacionada a um problema de amplitude do movimento ou à força muscular, mas a um bloqueio mental ocasionado pelo abuso:

O meu quadril não estava mexendo fazia um bom tempo, né? Eu estava com muita dificuldade pra mexer o quadril do lado direito. E a minha perna. E depois que eu comecei a fazer aula de dança, eu acho que eu vi que eu consigo mexer. E eu que estava com medo... E daí eu acho que eu estava com aquele bloqueio porque, como ano passado eu fiquei acamada e não consegui caminhar mais, eu estava com medo de, novamente, sentir aquilo dali. E eu vi que era um bloqueio da minha cabeça. E eu estou conseguindo mexer. (Nour – acolhida)

A dança do ventre revelou-se eficaz para o desenvolvimento expressivo dos movimentos e para o resgate da extroversão. Após as aulas, as participantes relataram sentirem-se mais alegres e confiantes para expressar emoções e sentimentos:

Antes eu me sentia mais constrangida... E depois dessas aulas, eu me senti, sabe, mais expressiva... Graças a Deus eu me sinto mais expressiva! (Jade – trabalhadora da casa)

A combinação entre arte e feminilidade proporcionada pela dança do ventre, resultou no resgate da sensualidade das participantes que, imersas em um cenário de cor, brilho, movimento expressivo, amorosidade e encantamento, se sentiram à vontade para serem quem são e  confortáveis com a própria imagem:

A gente percebeu assim, as meninas interessadas em aprender a mexer o quadril, em aprender a fazer movimentos, se sentindo mais sensuais, porque daí começam a se ver mais bonitas. Até eu... Até eu que no dia a dia fico na correria e tal... Comecei a ver as coisas de uma forma mais... Deu vontade de comprar um lenço. Deu vontade, sabe? É muito engraçado isso... (Rhanya – trabalhadora da casa)

Por fim, verificou-se que a dança revelou-se um analgésico para o desconforto ocasionado pelo confronto das participantes com as próprias vulnerabilidades, durante as rodas de conversa. Houve momentos em que elas choraram por rememorar o trauma. Mas, ao final, puderam encontrar alívio e bem-estar no próprio corpo:

No começo, como eu disse, eu me sentia muito desconfortável. Me dava ansiedade. Me dava crise. E eu não queria passar pras outras pessoas. Então, eu tinha que estar bem. Mas aí, depois vinha a dança e, aí sim, eu esquecia de tudo... (Saida – acolhida)

Honestamente, antes das aulas eu estava me sentindo, assim, meio um trapo. Cansada, desgastada, estressada... E confesso que as aulas foram pra mim um... assim... aliviou um pouco a carga. Relaxou um pouco mais, tirou um pouco da carga que eu tava sentindo de cansaço, de estresse. Me tirou um pouco do dia a dia. Fiz uma coisa por mim, que eu não estava fazendo. (Rhanya – trabalhadora da casa)

Teve momentos que eu senti aquela elevação de espírito mesmo... A dança é uma mágica, não deixa de ser. Eu sempre tive isso. É uma magia que toca. Eu acho que não é todo mundo que nasceu para ser dançarino. Tem pessoas que não. Não é a praia, né? Mas a pessoa que se identifica com a dança, ela é transformada. É fantástico! (Sanaa – trabalhadora da casa)

Não é incomum o relato de mulheres que, assim como Jade e Sanaa, no curso da relação abusiva passam a sentir nojo de si mesmas. Jamila, diante do histórico de humilhações que sofreu, perdeu a coragem de se encarar no espelho. Nour ficou acamada e recebeu diagnóstico médico de fibromialgia, após o término do relacionamento.

Eu nunca fui de me olhar muito no espelho, porque as coisas que aconteceram comigo faziam eu ter nojo de mim. (Jade, trabalhadora da casa)

Eu já nem me via mais como mulher. Não conseguia me olhar no espelho, porque eu tinha nojo de mim mesma, sabe? (Sanaa, trabalhadora da casa)

Eu fiquei acamada e não consegui caminhar mais. (Nour, acolhida)

O corpo não se desvincula de processos psíquicos. Confirmando o relato das participantes, a literatura aponta que, além dos impactos negativos sobre a autoimagem, a autoestima e a autoeficácia das vítimas, o estresse proporcionado pela violência por parceiro íntimo está relacionado com enxaquecas, dores de cabeça, problemas respiratórios, dores abdominais, falta de apetite, abuso de álcool, ingestão de antidepressivos, hipersonia e dificuldades de concentração (Díez et al., 2009). Fala-se ainda em doenças nos sistemas digestivo e circulatório, dores e tensões musculares, desordens menstruais e ideação suicida (Oliveira et al, 2017). A emoção se manifesta na matéria e o trauma é sentido no corpo físico, que passa a ser palco dos efeitos da experiência dolorosa e adoece (Barbosa Neto , Rocha, 2015; Mariz , Zornig, 2011).

Analisando o potencial de transformação da dança em grupos terapêuticos, Brito et al. (2022) identificaram, a partir de achados empíricos, sete categorias de resultados: (1) refinamento da percepção de si mesmo e do entorno, (2) maior conexão com o próprio corpo, (3) encontro e comunicação entre os membros do grupo, (4) processamento e integração de conteúdos até então não organizados, (5) possibilidade de utilização do corpo para associações e metáforas comumente presentes no quotidiano, (6) evocação de memórias e (7) aterramento, presentificação e unidade, com o consequente fortalecimento da conexão consigo mesmo. Estas categorias coincidem com os resultados obtidos no presente estudo, reforçando a possibilidade de utilização da dança em contextos terapêuticos, paralelamente a tratamentos focados na fala.  Enquanto manifestação corporal, a dança não deve ser tratada apenas como a racionalização de movimentos mecanizados, mas como uma unidade expressiva que permite o desenvolvimento de outras habilidades que vão além do dançar (Marques et al., 2013).

No estudo observacional conduzido por Garcia et al. (2019), dedicado a analisar a interface entre o corpo, a psicologia e a dança, verificou-se, assim como no presente, que as mulheres que participaram das oficinas de dança passaram a desenvolver maior consciência sobre si próprias, experimentando a conquista de um novo espaço existencial dentro e fora de si. Em recente revisão sistemática realizada para avaliar o impacto da terapia do movimento e a eficácia da dança no manejo de traumas psicológicos, constatou-se que: (1) a intervenção mente-corpo melhora a saúde física e mental, ativando processos psicofisiológicos (como coordenação motora e expressão das emoções), (2) as habilidades e o treinamento do terapeuta (ou de quem lhe faça as vezes) são fatores importantes a serem considerados na avaliação do impacto dos sintomas pós-traumáticos e (3) a utilização da dança com finalidade terapêutica pode ser uma técnica útil para melhorar sintomas psicológicos e fisiológicos associados à exposição ao trauma, como evitação e fenômenos dissociativos (Tomazewski et al, 2023).

Outra premissa importante para reflexão é a de que a dança do ventre, em uma perspectiva generificada do corpo, reproduz a estética do feminino – o que, ressalva-se, não impede de nenhuma maneira que seja executada por pessoas que não se identifiquem com o gênero feminino. Neste processo de produção estética do feminino e de um sujeito que se “esteticiza” através da dança, a bailarina se transforma em uma obra viva (Reis e Zanella, 2010). Através da expressão artística, encontra o espaço para a dramatização dos seus conflitos e um palco para expressão e resgate da sensualidade, da confiança e da segurança (Carriço, 2020; Abrão e Pedrão, 2005).

Por fim, no que diz respeito à dança como um instrumento de promoção de bem-estar, assim como na presente, a intervenção de Vera-Esteban e Cardona-Moltó (2022) também identificou mudanças na satisfação emocional das participantes, identificando os seguintes resultados decorrentes da prática interventiva: (1) maior capacidade de análise de emoções, sentimentos e gestão emocional, bem como maior consciência de estar no presente e poder aproveitá-lo; (2) reforço do autoconceito e da autoestima, redução da ansiedade, redução dos efeitos causados pelo medo, nervosismo e timidez; e (3) maior assertividade e confiança na capacidade de enfrentar os problemas.

No caso em estudo, o diálogo com os dados da pesquisa evidencia que a dança do ventre pode ser uma importante aliada na promoção de saúde das vítimas de violência por parceiro íntimo, auxiliando-as na liberação das amarras da mente sobre o corpo. Ainda que as experiências sejam individuais e subjetivas, o que impede uma generalização dos efeitos, algum benefício advirá desta prática, seja na recontextualização das corporalidades, seja na elaboração do trauma, seja através da formação de uma rede de apoio entre as bailarinas.

4  CONSIDERAÇÕES FINAIS

Partindo-se da premissa de que a arte é uma importante aliada na promoção de saúde e, em especial, de que a dança é uma ferramenta eficaz para a ressocialização e a expressão das emoções das vítimas da violência por parceiro íntimo, o objetivo deste trabalho consistiu em desenvolver um programa de intervenção psicossocial para mulheres agredidas pelos seus parceiros com reflexões em grupo sobre violência de gênero e aulas de dança do ventre. Este programa, estruturado em 8 encontros de aproximadamente 2 horas de duração cada um, foi denominado de Projeto Lenço no Quadril e contou com a participação de sete mulheres, recrutadas em uma casa de acolhimento no Sul do Brasil.

A partir dos registros da observação-participante e dos relatos documentados durante e após a realização do estudo, observou-se que o programa de intervenção contribuiu para: (1) a formação de uma rede de apoio entre as participantes, (2) o compartilhamento e a reflexão sobre as violências sofridas, (3) o empoderamento feminino, e (4) a recontextualização das corporalidades.

Em relação à primeira categoria de resultados, verificou-se que as participantes estabeleceram relações de amizade entre si, com desenvolvimento da empatia entre acolhidas e trabalhadoras da casa, que passaram a se identificar como iguais e se sensibilizar com a história uma da outra. A intervenção colaborou para a instituição de um lugar de fala e de escuta ativa das vítimas de violência por parceiro íntimo. Estabeleceu-se um vínculo de sororidade entre elas, através das práticas de acolher, não julgar e ajuda mútua. Tudo isso criou uma sensação de acolhimento e conforto para que as participantes pudessem se despir da vergonha, falar sobre situações traumáticas e perceber que não estavam sozinhas em seu sofrimento.

Em relação à segunda categoria de resultados, verificou-se que as participantes realizaram uma viagem de retorno ao passado, com a rememoração de emoções dolorosas e o confronto com as próprias vulnerabilidades. Conscientes daquilo que sofreram, tiveram a oportunidade de perceber a violência a partir de novos ângulos. Encorajadas pelo grupo, verbalizaram a experiência traumática, dividindo umas com as outras suas dores e histórias de vida.  Há relatos de alívio e liberação do conteúdo afetivo e das emoções associadas.

Em relação à terceira categoria de resultados, verificou-se que elas avaliaram positivamente o acesso às informações e indicaram que se sentiam com melhores repertórios autoprotetivos. As intervenções com a dança do ventre melhoraram a percepção de autoeficácia para situações de vitimização, estimularam também a relação delas com seu próprio corpo e sensualidade, refletindo na autoestima e no autoconceito. Há relatos de uma percepção mais amorosa de si, de seu corpo, de sua sensualidade e do seu próprio valor. A observação também revelou maior disponibilidade para cuidar do corpo e da aparência.

Por fim, em relação à quarta categoria de resultados, verificou-se que, no plano das corporalidades, a dança revelou-se um analgésico para as dores do dia a dia e para o desconforto ocasionado pelo confronto das participantes com as próprias vulnerabilidades durante as rodas de conversa. A verbalização do evento traumático e as aulas de dança conduziram as participantes da pesquisa a uma jornada de reconciliação com o próprio corpo, caracterizada pela autodescoberta, pela recuperação da mobilidade adormecida e pelo desenvolvimento da extroversão. Houve momentos em que elas choraram por rememorar o trauma. Todavia, a combinação entre arte e feminilidade proporcionada pela dança do ventre auxiliou no resgate da sensualidade das participantes que, imersas em um cenário de cor, brilho, movimento expressivo, amorosidade e encantamento, sentiram-se à vontade para redescobrir seu corpo e admirar a própria imagem. A partir dos relatos foi possível concluir que, quando coordenada por profissionais capacitados, a dança do ventre pode ser uma importante ferramenta de promoção de saúde das vítimas de violência por parceiro íntimo, pois, além dos benefícios listados, ainda promove sensação de bem-estar.

Considerando a complexidade revelada nesta investigação, sugere-se que novas pesquisas sejam realizadas a partir de estudos de caso múltiplo, com a reaplicação do roteiro da intervenção em pequenos grupos de no máximo dez pessoas e posterior comparação entre os grupos. Sugere-se também que novas pesquisas sejam realizadas para aprofundar o conhecimento sobre o impacto psicológico de técnicas de dança do ventre, bem como seu efeito a médio e longo prazo.  Sugere-se, por fim, a realização de pesquisas com a utilização de danças em par para avaliar seus impactos na relação entre casais. Por fim, diante da qualidade e da riqueza dos resultados obtidos, conclui-se que o programa de intervenção aqui delineado está apto a ser implementado como política pública, constituindo-se em uma importante ferramenta de prevenção à violência por parceiro íntimo e de atenção às mulheres que sofrem deste mal.

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Notas de Rodapé

[1]     Mestrado em Psicologia Forense pela Universidade Tuiuti do Paraná (2024), Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba, Brasil, código postal 82010-210, E-mail: laurapperin@yahoo.com.br, https://orcid.org/0000-0002-1350-7412

[2]     Doutorado em Psicologia Social pela Universidade de São Paulo, Universidade Tuiuti do Paraná, Curitiba, Brasil, código postal 82010-210, E-mail: mcrisantunes@uol.com.br, https://orcid.org/0000-0002-6767-518X

Este artigo foi elaborado sem a utilização de inteligência artificial.